Caminhando...
 
01
Dez 09

 Caminho de cores

(imagem retirada da internet)

 

"Caminho: faixa de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mas também por ser uma simples linha ligando um ponto a outro. A estrada não tem em si própria qualquer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. O caminho é uma homenagem ao espaço. Cada trecho do caminho é em si próprio dotado de um sentido e convida-nos a uma pausa. A estrada é uma desvalorização triunfal do espaço, que hoje não passa de um entrave aos movimentos do homem, de uma perda de tempo.
Antes ainda de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana: o homem já não sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer. E também a sua vida ele já não vê como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha conduzindo de uma etapa à seguinte, do posto de capitão ao posto de general, do estatuto de esposa ao estatuto de viúva. O tempo de viver reduziu-se a um simples obstáculo que é preciso ultrapassar a uma velocidade sempre crescente."


Milan Kundera, in "A Imortalidade"

publicado por Caminhando... às 20:41
Joana

Muito obrigada por me teres proporcionado a oportunidade de ler este texto: Mais um "caminho" que me ofereceste. Quando li a "Insustentável leveza do ser" fiquei deslumbrada com Kundera, mas depois li o "Livro do riso e do esquecimento" e já se atenuou um pouco o meu deslumbramento e não voltei a ler mais nenhum livro dele (só excertos). Agora com este teu post renasceu a vontade de o ler. É que me identifiquei plenamente estas palavras e achei uma maravilha esta imagem da estrada em contraponto à do caminho. Parece realmente que, em geral, já não tiramos prazer do caminhar pelo caminhar e só vemos o objectivo de chegar à etapa seguinte. Que pena, porque o que interessa é o nosso caminhar, o EXISTIR no caminhar. Se não existirmos nesse caminhar o que é feito da nossa vida?
Que a tua vida seja sempre um caminhar com sentido e pausas relaxantes, minha terna amiga.
descobrirafelicidade a 2 de Dezembro de 2009 às 17:40
Amiga Teresa,

Fico muito contente por teres gostado :)
Sabes, ainda não li nenhum livro deste autor mas, tenho inumeros excertos seus guardados e, são na sua maioria do livro "A insustentável leveza do Ser" e, adoro-os a todos. Gostei tanto que, brevemente, o irei buscar. Dos restantes excertos, alguns desse segundo livro que referes, uns gostei, enquanto outros não me disseram muito.

É isso mesmo.
O que mais importa agora é o chegar e não o caminho que é percorrido até que se chega ao destino.
Já não se saboreia as etapas pelos quais passamos, sempre na ansia de chegar ao mais "importante": o final da estrada.
E tão importante que é desenhar e trilhar um caminho em que, cada passo dado, foi sentido e saboreado, de modo a que, tudo o que este tinha foi "usado" para que pudessemos enriquecer.

O mesmo te desejo querida Teresa!
Um abraço recheado de carinho e muita estima
Caminhando... a 4 de Dezembro de 2009 às 22:35

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