Caminhando...
 
01
Dez 09

 Caminho de cores

(imagem retirada da internet)

 

"Caminho: faixa de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mas também por ser uma simples linha ligando um ponto a outro. A estrada não tem em si própria qualquer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. O caminho é uma homenagem ao espaço. Cada trecho do caminho é em si próprio dotado de um sentido e convida-nos a uma pausa. A estrada é uma desvalorização triunfal do espaço, que hoje não passa de um entrave aos movimentos do homem, de uma perda de tempo.
Antes ainda de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana: o homem já não sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer. E também a sua vida ele já não vê como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha conduzindo de uma etapa à seguinte, do posto de capitão ao posto de general, do estatuto de esposa ao estatuto de viúva. O tempo de viver reduziu-se a um simples obstáculo que é preciso ultrapassar a uma velocidade sempre crescente."


Milan Kundera, in "A Imortalidade"

publicado por Caminhando... às 20:41
Hoje o homem quer pressa; não quer estradas, mas sim autoestradas e de preferência sem portagem para nem sequer parar aí. Caminhos ele tem muitos, mas não está com vontade de os percorrer; demora, têm curvas, pedras e encruzilhadas; são belos os caminhos, mas é preciso ir devagar para apreciar a beleza, não tropeçar nas pedras e saber voltar atrás se por acaso escolher o caminho errado; hoje o homem não tem tempo para isso e vai chegar depressa ao fim da estrada sem ter aproveitado a delícia de uma vida calma com tempo para fazer as caminhadas da vida observando tudo de belo que ela mostra ao longo dos seus caminhos. Já quase não há caminhos nas nossas cidade e muito menos na alma do ser humano; aqui só se vê o asfalto das estradas e a escuridão que lhe dá a sua cor acinzentada; as flores das bermas dos caminhos, o verde das arvóres, a cor linda da terra batida foram-se...Um beijinho, Joana e parabéns pelo texto
Emília
comunicadoraspt@hotmail.com a 3 de Dezembro de 2009 às 17:54
Olá amiga Emilia!
Antes de mais, que bom ter-te de volta, já tinha sentido a tua ausencia por aqui. Bom poder ter de novo a tua companhia.

Sabes, é-me sempre complicado comentar os teus comentários (passo a redundancia) pois, és sempre tão concreta que, dizes tudo o que é mais importante referir!
Sabes, ainda hoje, fui correr para uma zona chamada Sabugo e, o verde das arvores, da relva e as plantas coloridas que estavam na berma daquele caminho de terra encheram-me alma e fizeram com o que o meu diz corresse de forma serena e tranquila. Tão bem que fazem estes pequenos prazeres.

Um beijinho
Caminhando... a 4 de Dezembro de 2009 às 22:57
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