Caminhando...
 
21
Ago 10

(…)

“Alegria sem causa, alegria animal
que nenhum mal
pode vencer.
Doido prazer
de respirar!
Volúpia de encontrar
a terra honesta sob os pés descalços.

Prazer de abandonar os gestos falsos,
prazer de regressar,
de respirar
honestamente e sem caprichos,
como as ervas e os bichos.
Alegria voluptuosa de trincar
frutos e de cheirar rosas.

Alegria brutal e primitiva
de estar viva,
feliz ou infeliz
mas bem presa à raiz.

Volúpia de sentir na minha mão,
a côdea do meu pão.
Volúpia de sentir-me ágil e forte
e de saber enfim que só a morte
é triste e sem remédio.
Prazer de renegar e de destruir  o tédio,

Esse estranho cilício,
e de entregar-me à vida como a  um vício.

Alegria!
Alegria!
Volúpia de sentir-me em cada dia
mais cansada, mais triste, mais dorida
mas cada vez mais agarrada à Vida!”

 

Fernanda de Castro, in "D'Aquém e D'Além Alma"

publicado por Caminhando... às 23:37
www.fernanda-decastro.blogspot.com
a. a 19 de Outubro de 2010 às 12:32
Olá!

Obrigada. Passarei por aí.
Caminhando... a 24 de Outubro de 2010 às 16:04

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Agosto 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
22
23
24
25
26
27
28
29
31
Online
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
Visitas
Free Website Counters