Caminhando...
 
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Ago 10

(…)

“Alegria sem causa, alegria animal
que nenhum mal
pode vencer.
Doido prazer
de respirar!
Volúpia de encontrar
a terra honesta sob os pés descalços.

Prazer de abandonar os gestos falsos,
prazer de regressar,
de respirar
honestamente e sem caprichos,
como as ervas e os bichos.
Alegria voluptuosa de trincar
frutos e de cheirar rosas.

Alegria brutal e primitiva
de estar viva,
feliz ou infeliz
mas bem presa à raiz.

Volúpia de sentir na minha mão,
a côdea do meu pão.
Volúpia de sentir-me ágil e forte
e de saber enfim que só a morte
é triste e sem remédio.
Prazer de renegar e de destruir  o tédio,

Esse estranho cilício,
e de entregar-me à vida como a  um vício.

Alegria!
Alegria!
Volúpia de sentir-me em cada dia
mais cansada, mais triste, mais dorida
mas cada vez mais agarrada à Vida!”

 

Fernanda de Castro, in "D'Aquém e D'Além Alma"

publicado por Caminhando... às 23:37
Muito bonito este poema à alegria, É um santo remédio para tudo, a alegria. Pena que a abandonemos às vezes por tão pouco. Há casos em que não podemos deixar de estar tristes; a vida dá-nos motivos que independem da nossa vontade, mas, muitas vezes não há motivos e a alegria lá se vai; se pensássemos mais vezes que para tudo há solução, menos para a morte, de certeza que a alegria era mais constante nas nossas vidas. Um beijinho, Joana e espero que saibas sempre manter a alegria bem juntinho a ti.
Emília
comunicadoras a 24 de Agosto de 2010 às 23:49
Por vezes a alegria vai bem para longe de nós mas, há que fazer algumas escolhas e penso que grande parte dessa busca centra-se no que valorizamos. Se as desgraças ela fica bem longe, se as coisas boas, mesmo que em certas alturas sejam poucas, a alegria já aparece e fica connosco.

Beijinhos e boa noite
Caminhando... a 30 de Agosto de 2010 às 22:35
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